Concessão do Iquiri pode abrir novo ciclo econômico na Ponta do Abunã

Acessos à floresta, estrutura madeireira e incentivos ao beneficiamento podem favorecer Nova Califórnia, Extrema e Vista Alegre do Abunã

A futura concessão da Floresta Nacional do Iquiri, em Lábrea, no sul do Amazonas, pode ampliar a atividade econômica da Ponta do Abunã, em Rondônia. A perspectiva está apoiada nos estudos do Serviço Florestal Brasileiro, que consideram acessos pelos distritos rondonienses para viabilizar a produção florestal.

A proposta abrange cinco unidades de manejo, com aproximadamente 433 mil hectares de efetivo manejo estimado. Sua implantação pode gerar demanda por trabalhadores, transporte, manutenção de máquinas, abastecimento, alimentação e processamento de madeira. A distribuição dessas oportunidades dependerá dos acessos utilizados e das decisões das futuras concessionárias.

Os três distritos apresentam condições diferentes para participar desse processo. Nova Califórnia possui ligação pelo Ramal Mendes Júnior, identificado no estudo oficial como possibilidade de acesso ao sul da floresta. Essa conexão coloca o distrito entre os possíveis pontos de apoio às operações.

Vista Alegre do Abunã reúne vantagens de acesso e capacidade industrial. Segundo informações da Administração Distrital, o Ramal do Boi está em seu território e o distrito concentra a maior infraestrutura madeireira em operação da região. Essa combinação pode favorecer o recebimento e o beneficiamento da produção, com reflexos sobre empregos, fornecedores e comércio.

O estudo federal analisa o Ramal do Boi como alternativa futura de acesso, condicionada à implantação de ligações secundárias. Portanto, sua utilização para atender às unidades de manejo ainda depende de definição técnica e das autorizações necessárias.

Extrema aparece com percursos rodoviários menores na modelagem logística. Para as unidades I e II, o documento estima distâncias de 85 e 90 quilômetros até o distrito, enquanto os trajetos até Vista Alegre são de 155 e 160 quilômetros. Essa diferença pode favorecer Extrema em determinadas operações de transporte e apoio.

Outro fator é o incentivo ao beneficiamento regional. A proposta prevê bonificação à concessionária de R$ 5 por metro cúbico de madeira efetivamente processada em estabelecimentos situados no raio de 150 quilômetros da unidade de manejo, observadas as condições previstas. O mecanismo pode tornar comercialmente mais atrativa a contratação de indústrias enquadradas nessa área.

Entretanto, distância rodoviária e raio geográfico são medidas diferentes. Os percursos apresentados no estudo não permitem, isoladamente, confirmar o enquadramento de Extrema ou excluir as madeireiras de Vista Alegre. Essa verificação exige considerar a localização de cada indústria em relação à unidade de manejo e os critérios do edital definitivo.

A perspectiva regional envolve, assim, fatores complementares: acessos à floresta, custo de transporte, capacidade industrial instalada e possibilidade de incentivo ao processamento. Para Vista Alegre, a estrutura madeireira existente pode representar uma vantagem relevante; para Extrema e Nova Califórnia, localização e conexões viárias também podem atrair atividades.

A concessão ainda está em preparação. Na página oficial atualizada em julho de 2026, o Serviço Florestal Brasileiro registra audiências públicas realizadas e a Consulta Livre, Prévia e Informada como etapa a realizar. Os benefícios econômicos permanecem como possibilidades, sem garantia de contratos ou empregos.

A participação da Ponta do Abunã nesse futuro mercado dependerá da articulação entre empresas, trabalhadores e poder público. Preparar a infraestrutura, qualificar a mão de obra e buscar esclarecimentos sobre os incentivos são medidas que podem ajudar a transformar a proximidade com o Iquiri em renda e desenvolvimento regional.